O livro Para não ser um professor do século passado, escrito pelo professor Marco Aurélio Kalinke, foi publicado em 1999 pela Editora Expoente, de Curitiba - PR.

    O texto trata da postura do professor frente às novidades da virada do milênio. São abordadas as atitudes necessárias para que estejamos inseridos no contexto mundial, visando ao entendimento de: O que fazer, Como fazer e Porque fazer.


São oito capítulos, num total de 150 páginas, assim distribuídos:

  1- Introdução

2- Uma análise do Momento Atual

3- A Necessidade de Atualização

4- O Domínio de Novas Tecnologias

5- O Ganho de Tempo em Sala de Aula

6- A Aplicação de Novas Técnicas

7- A Avaliação

8- Conclusão

 

Aqui você encontra a íntegra da Introdução. Caso haja interesse em adquirir o livro, você pode solicitá-lo ao autor pelos contatos que se encontram ao final dessa página. O valor é R$ 22,00 + CORREIO.


Introdução

O receio às mudanças sempre fez parte da atitude humana. A cada nova descoberta ou a cada grande invenção surgem dois grandes grupos: o daqueles que provam os seus benefícios e o daqueles que apenas se preocupam em imaginar os problemas que ela pode nos trazer. Foi assim com a descoberta do fogo, depois com a invenção da roda, a seguir com a formalização da escrita e, assim sucessivamente, até chegarmos à Revolução Industrial, à montagem da prensa de Gutenberg, ao telefone, ao rádio e à televisão. Agora é tempo do computador, da telefonia celular e do satélite.

Lendo artigos e estudos das mais variadas épocas da humanidade, observamos claramente a dificuldade em aceitar o novo e suas possibilidades. Qualquer que seja o período a ser estudado, temos indícios claros e diretos dos receios do homem frente às descobertas e achados do seu tempo. Sempre foram poucos os visionários e descobridores. Felizmente, a história tem feito justiça, e enquanto estes são lembrados e reverenciados, aqueles estão fadados ao esquecimento.

Mais uma vez surgem o medo do desconhecido e a necessidade de adequação às novidades. Estamos vivendo o tempo de acesso pleno à informação e esse fato é indubitavelmente uma das maiores transformações deste final de século.

Segundo as mais recentes pesquisas e estudos, a cada década acontece uma duplicação da quantidade de informações disponíveis para o conhecimento humano. Dessa forma, a cada novo decênio disponibiliza-se o dobro de informações da década anterior para a humanidade.

Os avanços tecnológicos começam a ser utilizados, praticamente, por todos os ramos do conhecimento. As descobertas são extremamente rápidas e estão à nossa disposição com uma velocidade nunca antes imaginada. O advento do chip, que deu origem aos computadores atuais, talvez tenha sido o grande achado deste milênio. A Internet, os canais de televisão a cabo, o CD-Rom, os recursos de multimídia estão presentes e disponíveis para todos aqueles que deles quiserem se utilizar.

Esse aumento brutal de informações e recursos tecnológicos, aliado à velocidade das mudanças, faz com que estejamos permanentemente buscando atualização em relação aos novos estudos e às novas tecnologias. Estamos sempre a um passo de qualquer novidade.

Em contrapartida, a nova realidade mundial faz com que nossos alunos estejam cada vez mais informados, atualizados e participantes deste mundo globalizado.

Esta realidade traz à tona uma nova fronteira educacional a ser desvendada.

O profissional de magistério do próximo século precisa estar completamente envolvido neste "boom" tecnológico e preparado para enfrentar as transformações que se vislumbram.

O aluno tem hoje acesso muito mais rápido e fácil às informações do que nós ou nossos pais. Basta que ele ligue a televisão e terá à sua disposição uma infinidade de canais com as mais amplas possibilidades de programações, nas mais variadas culturas, nos mais estranhos idiomas e no horário que ele desejar.

Estamos partindo para uma tamanha diversificação de programação que é possível assistirmos a canais exclusivos de educação, assim como já existem os de esportes, música, filmes ou seriados antigos.

Devemos perceber que a segmentação do mercado é tal que os próprios canais, voltados a uma programação específica, começam a se abrir em programações mais dirigidas ainda. Dessa forma, não existem mais canais de música geral, mas sim de música clássica, de música country, música latina, música jovem, etc. Da mesma maneira, os canais voltados para uma programação esportiva começam a se dividir nos que transmitem esportes tradicionais, como o futebol, basquete e vôlei, e nos dedicados a esportes conhecidos como radicais, tais como o surf, a canoagem e o skate.

Com a educação certamente se repetirá esse mesmo fenômeno. Os poucos canais educativos que existem serão ampliados e segmentados em outros com programações próprias para pré - escola (ensino fundamental), primeiro grau (primeiro ciclo), segundo grau (ensino médio), e assim sucessivamente, com tantas divisões quantas o mercado estiver disposto a aceitar e comprar.

De modo análogo, a Internet vem revolucionando a transmissão de informações e a comunicação entre as pessoas. Estão se tornando comuns casos em que as pessoas se ajudam e trocam informações, dados ou documentos mesmo sem se conhecerem.

Basta ligarmos o computador para que estejamos conectados literalmente ao mundo. Mais do que isso, essa fantástica ferramenta nos permite o acesso imediato às últimas tendências e descobertas nos mais distantes pontos do Planeta. A cada dia, milhares de novas pessoas estão se "plugando" a essa rede e, com as novas invenções e os novos equipamentos, cuja principal tendência é a junção de vários eletro-eletrônicos num equipamento único, este número de usuários tende a crescer, num ritmo tão alucinante que certamente teremos dificuldade de acompanhar e mensurar.

Um dos mais ambiciosos projetos da agenda norte-americana propõe que até o final do século todas as salas de aula estejam conectadas à Internet. Segundo o jornalista Gilberto Dimenstein: "Essa é apenas mais uma conseqüência da evolução histórica que teve início com a prensa móvel de Gutenberg, lançada em 1456. Desde então começou a ser moldada a escola como a conhecemos hoje, e a possibilidade de acesso à informação não pára de ganhar novas dimensões, por meio de invenções como telégrafo, telefone, rádio, televisão, telefone sem fio, computador, TV a cabo, e outras invenções que redefinem noções de tempo e espaço".

Os técnicos estão começando a se preocupar com algo que há poucos meses parecia absurdo: o número de computadores ligados à Internet. Sabe-se que a sua capacidade, no que tange à quantidade de máquinas que ela comporta é limitada. Não esperavam, aqueles que a projetaram, que essa capacidade corresse tão cedo o risco de ser atingida. Já estão tendo início estudos sobre novas redes, talvez várias delas, cada uma voltada para o tráfego exclusivo de determinado tipo de informação. Teríamos assim redes de compras, de entretenimento, de esportes e de educação, para citar alguns exemplos.

Esses novos recursos disponibilizados ao nosso público farão com que os alunos tenham ainda mais condições de estarem preparados e informados, desenvolvendo assim uma capacidade de comparação e um senso crítico jamais visto nas últimas gerações. Não podemos, portanto, continuar ensinando-os da mesma forma que os professores dos nossos avós ensinavam.

A despeito de todo esse avanço tecnológico, o magistério tem sido uma das profissões que menos proveito tem tirado dos recursos disponíveis.

A grande mudança no ensino foi o quadro-negro, pois, fora ele, continuamos realizando exatamente o mesmo trabalho desenvolvido pelos professores do início da civilização. Somos hoje, em regra, cópias fiéis dos educadores gregos, que passeavam pelos bosques com seus discípulos, transmitindo-lhes, oralmente, todo o conhecimento armazenado em seus estudos.

Segundo o professor Attico Chassot da UFRS: "Se José de Anchieta, um dos pioneiros em educação no Brasil, entrasse hoje em nossas salas de aula muito pouco se surpreenderia, pois nossos métodos e tecnologias são praticamente os mesmos por ele utilizados. Continua-se fazendo educação com artesania".

A diferença fundamental é que naquela época o aluno não dispunha de outra opção e o mestre possuía, em virtude da quantidade de conhecimentos disponíveis e da dificuldade de acesso à informação, a condição de ser o único detentor e transmissor desse conhecimento.

Os tempos mudaram e nós permanecemos estagnados.

A maioria das ciências tem gradativamente aumentado a utilização dos recursos e descobertas da tecnologia como uma utilíssima e fundamental ferramenta em suas atividades. É impressionante o avanço da Medicina, da Engenharia, da Física, da Robótica, apenas para citar algumas áreas do conhecimento. E nós, professores, continuamos no estágio inicial de evolução profissional.

Alguém já afirmou que se conseguíssemos, numa suposta máquina do tempo, trazer aos dias de hoje um cirurgião e um professor que viveram há dois séculos, o primeiro ficaria imobilizado e maravilhado com os avanços em sua profissão, pois encontraria um ambiente de trabalho totalmente modificado. O segundo, por sua vez, certamente conseguiria desenvolver sua atividade sem maiores problemas, afinal o ambiente que encontraria seria muito semelhante ao do seu tempo.

Tratamos nossos alunos como eram tratados nossos avós, criticamo-los por não acompanharem nossos ensinamentos e não aceitamos críticas quando nossos métodos de ensino não são aprovados.

Celso Valim, especialista no uso da informática na educação, afirma que a escola deve ser centrada no professor. Segundo Valim: "Para uma escola funcionar bem, ela precisa transformar os seus professores nas pessoas mais importantes da sua estrutura. Diretores, coordenadores e especialistas devem estar sempre a serviço do professor. Todos trabalham visando ao desenvolvimento do aluno, mas é o professor que está com ele 90 % do tempo e, por isso, tudo o que acontece com o aluno passa pelo professor. Assim, todas as iniciativas da escola visando à melhoria do aluno devem estar relacionadas diretamente ao professor. O uso de uma nova ferramenta, ou o novo uso de qualquer ferramenta já conhecida, deve ser feito pelo professor. Em muitos casos é difícil. O professor trabalha em três períodos, está esgotado ou descrente de novidades. É fraco, retrógrado, avesso a tecnologias. Não consegue aprender a mexer num videocassete. Quanto pior o caso, maiores as razões para se começar pelo professor. Os resultados podem demorar, mas se o professor não melhorar pode-se fechar a escola".

A explicação do motivo pelo qual os professores se tornaram tão resistentes às mudanças e as novidades tecnológicas reside, segundo Frederic Litto, pesquisador da escola do futuro, em três possíveis explicações.

"A primeira pode estar relacionada à forma pela qual as pessoas aprenderam a aprender no passado. Estudos recentes têm se dedicado a examinar os exercícios da memória. Esses estudos distinguem dois tipos de memória: a memória taxonômica e a memória local ou natural.

A primeira se caracteriza pela aquisição de conhecimentos por meio da memorização de fatos e categorias preestabelecidas. Nela os fatos armazenados estão isolados uns dos outros. Esse tipo de memória é resistente a mudanças futuras.

A memória local, por sua vez, se caracteriza por ser espacial. Nela todos os itens estão armazenados de forma inter-relacionada, permitindo constantes mudanças e agregações de novos conhecimentos.

Dessa forma, aqueles que aprenderam por meio de uma abordagem didática cujo princípio foi a formação concluem, automaticamente, que estão com um estoque de conhecimentos suficientemente grande e decorado para ser repassado às futuras gerações. Esse grupo de professores tende a resistir a novas informações, especialmente aquelas que obrigam o abandono de antigas categorias e fatos já memorizados.

Aqueles que aprenderam por meio da outra abordagem acreditam que no futuro precisarão saber como identificar e resolver problemas, não resistindo a novas informações, mas, por outro lado, procurando constantemente a criação de novas categorias de idéias ou fatos.

A segunda possibilidade para a explicação da rejeição às novidades é o chamado "princípio do investimento": quando alguém já investiu bastante tempo e dinheiro num determinado caminho ou numa determinada carreira, sendo bem sucedido até então, torna-se difícil aceitar novas propostas que invalidem as práticas do passado e exijam um novo investimento na aprendizagem, adotando estratégias e táticas recentes.

A terceira possibilidade de explicação reside na questão da existência de um eixo com duas extremidades, que pode ser encontrado em qualquer cultura: pragmatismo de um lado e reflexão do outro. Indivíduos, organizações e classes de profissionais, eventualmente, acham seu lugar ao longo desse eixo, tomando suas decisões e agindo diariamente, segundo a posição na qual se acomodaram.

É uma tradição nas instituições brasileiras ensinar que a reflexão é superior ao pragmatismo, ou seja, que a teorização é superior à pratica, que a compreensão profunda do papel da educação e do educador na sociedade está acima de uma visão pragmática e de experiências pessoais relativas aos acontecimentos dentro da sala de aula".

Faz-se necessária uma grande transformação na maneira de encararmos o papel do professor no século XXI.

O que faremos daqui para frente? Como forneceremos informações atualizadas e úteis aos nossos alunos? Quais deverão ser os tópicos curriculares a serem abordados? Como estaremos preparados para encarar as mudanças de perfil profissional necessárias aos novos tempos?

Precisamos estar aptos para responder a estas perguntas no menor espaço de tempo possível, até porque, com a velocidade dos acontecimentos atuais, alguns meses são suficientes para estarmos à margem das tendências mundiais.

Os estudiosos são unânimes em afirmar que a solução para gerar uma possibilidade de desenvolvimento de uma nação é a criação de uma política de investimento maciço em educação. Todos temos consciência desse fato, desde o mais humilde até o mais privilegiado cérebro do País sabemos que precisamos dar educação, informação e formação às nossas crianças e aos nossos jovens, a fim de construirmos uma sociedade mais justa.

Nossos mandatários afirmam ter ciência desse fato e estão começando a investir o quanto podem nessa área. Alguns bons exemplos já surgem e resultados começam a aparecer. A alegação por termos gasto tão pouco com educação nas últimas décadas era de que não havia recursos financeiros disponíveis. Não vamos aqui entrar em discussões de caráter político-ideológico, nem tampouco defender esta ou aquela linha de macrogerenciamento de uma nação. Apenas analisaremos a tendência dos acontecimentos futuros. Observe-se que não estamos tentando fazer previsões ou adivinhações. Nossa única intenção aqui é retransmitir o que dizem os especialistas no assunto.

Seja pela globalização da economia, seja pela entrada de capital externo ou pelo controle e melhor administração da coisa pública, começa-se a disponibilizar uma fatia considerável de recursos para serem investidos na educação.

Todas as perspectivas apontam para uma boa aplicação desses recursos. Isto acontecendo, teremos dinheiro para aparelhar e equipar nossas escolas, recursos para pagar adequadamente nossos professores, alunos com disposição para estudar dentro de um currículo que supra suas necessidades e... falta de professores capacitados.

A afirmação pode parecer pesada demais aos puristas, mas imaginemos a seguinte situação:

Você foi escolhido para dirigir uma escola e resolve trabalhar com profissionais recém-formados. Para contratar os melhores profissionais, você resolve visitar as nossas faculdades e universidades, percorrendo as salas de aula do último período de qualquer um dos cursos ligados ao magistério. Certamente você teria uma dificuldade muito grande em selecionar professores para ministrar aulas.

Os estudantes de cursos ligados ao magistério podem hoje ser divididos em três categorias básicas.

1. Aqueles que optam pelo curso por este ser um dos que têm a menor relação na concorrência candidato X vaga no vestibular.

2. Aqueles que, após várias tentativas frustadas de passarem em Medicina, Engenharia ou Direito, optam por Biologia, Matemática ou História (apenas para citar alguns exemplos).

3. Aqueles que optam por vocação.

Parece óbvio não haver necessidade de grandes discussões para percebermos que a maioria absoluta dos acadêmicos dos cursos de licenciatura pertence aos dois primeiros grupos.

A quantidade de profissionais em educação com falta de qualidade e pré-requisitos para desempenhar seus papéis está atingindo patamares nunca antes alcançados.

Algumas estatísticas apontam que, no início do ano 2000, teremos aproximadamente 200.000 professores sem licenciatura, ministrando aulas em nossas escolas a fim de suprir a falta de profissionais formados para tal finalidade.

Chegamos a uma situação de impasse. Em um futuro próximo haverá uma grande monta de recursos disponíveis para se investir em educação, assim como vontade política para fazê-lo, mas, em contrapartida, faltarão profissionais qualificados para desempenhar suas atividades.

Como somos diretamente influenciados pela cultura norte-americana, e não nos cabe aqui julgar se isso é ou não interessante, faz-se importante observarmos algumas medidas tomadas pelo Conselho Estadual de Educação de Nova York em julho de 1998. As medidas foram adotadas com a premissa de que melhorar os professores significa melhorar a aprendizagem dos alunos. São elas:

- Fica eliminada a obrigatoriedade de diploma de licenciatura para exercer a profissão de professor no Estado. Qualquer pessoa que possua diploma de graduação em qualquer matéria e seja aprovada nos exames sobre o conteúdo da matéria que pretende lecionar e sobre a teoria educacional pode ser professor.

- Qualquer faculdade de educação que tenha mais de 80% dos seus formandos reprovados nos exames de proficiência profissional será fechada.

- A certificação de professores, que hoje é em caráter vitalício, será, a partir de setembro de 2000, concedida por apenas cinco anos, podendo ser renovada se o professor se submeter e for aprovado em 175 horas de educação continuada e se obtiver o título de mestrado profissionalizante (sem tese) no prazo de dois anos (a exigência atual é de que se cumpra em 5 anos) após iniciar a carreira.

- Torna-se mais fácil retirar a certificação de professores por incompetência, omissão de responsabilidade ou insubordinação.

Essas medidas ainda estão longe de se tornarem realidade em nosso país, mas como as decisões estão cada vez mais globalizadas, devemos evitar apostas de que elas não cheguem até nós mais rápido do que imaginemos.

É nesse emaranhado de tecnologia e falta de profissionais que nos encontramos hoje. Alguns certamente já se destacam e continuarão desempenhando papéis importantes na educação, mas outros estão ficando cada vez mais à margem do processo.

Provavelmente, nunca antes a teoria evolucionista tenha tido tanta aplicação prática quanto agora. Os mais preparados sobreviverão e os menos aptos certamente sucumbirão às exigências do mundo atual.

Estamos num túnel chamado tecnologia e, como em qualquer túnel, não existe retorno. Ou seguimos em frente ou somos esmagados pelos que vêm atrás de nós.

Sentimos que a maioria dos profissionais do magistério tem um enraizamento muito forte com as coisas do passado. É comum ouvirmos colocações do tipo "no meu tempo não era assim", "os alunos de antigamente agiam de outra forma" ou "na minha época a coisa era diferente". Temos uma grande resistência às mudanças. Fechamo-nos num mundo de mediocridade e reclamações. Estamos como aquela propaganda de biscoitos, que para divulgar o produto dizia: "Vende mais por que é fresquinho ou é fresquinho por que vende mais?" Poderíamos adaptar à nossa realidade questionando: "O professor ganha pouco por que trabalha mal ou trabalha mal por que ganha pouco?" Entramos num ciclo vicioso que urge ser interrompido.

Os profissionais do século XXI precisam estar cientes que não estão mais competindo exclusivamente com seus colegas de turma da faculdade. Apenas para citar um exemplo: um aluno formado em Administração de Empresas ou em Engenharia Mecânica pela Universidade Federal do Paraná concorre diretamente a um emprego, na fábrica de automóveis Renault, com um aluno formado na Universidade de Lion, na França. Esta geração, que hoje começamos a preparar, certamente exigirá muito mais de cada um dos seus professores do que nós exigimos dos nossos mestres.

Essa realidade faz com que paremos para refletir e procuremos encontrar o melhor caminho para seguirmos em nossas vidas profissionais.

Devemos tomar algumas atitudes fundamentais para que estejamos na ponta desse novo processo. Se desejamos estar no topo das transformações e preparados para estas, precisamos criar um novo perfil profissional e nele se engajar plenamente .

Procuraremos apresentar nos próximos capítulos algumas destas "regras de sobrevivência" para o educador do século XXI. Certamente, elas serão úteis, tanto àqueles que estão iniciando na profissão quanto àqueles que, mesmo após uma grande experiência acumulada, ainda estão perdidos nessa revolução educacional e de costumes.

Abordaremos a necessidade de uma constante atualização, de dominar-mos novas tecnologias, de estarmos sempre um passo à frente, de ganharmos o máximo possível de tempo em sala de aula, de aplicarmos novas técnicas e repensarmos nossos métodos de avaliação.

Será nosso objetivo principal trabalhar com idéias simples, práticas e, fundamentalmente, que já tenham sido testadas e aprovadas pela prática em algumas instituições de ensino. Procuraremos apresentar propostas factíveis e diretas, fugindo do diletantismo abstrato que não nos leva a lugar algum. Seremos, enfim, mais pragmáticos do que dogmáticos.

Temos certeza de que o profissional que estiver enquadrado no perfil a ser traçado certamente conseguirá um maior retorno com seus alunos, um grande respeito por parte dos colegas e uma valorização profissional tão esperada e merecida por parte de seus empregadores.

Como vivemos em um país repleto de situações particulares, tentaremos englobar algumas posturas e atitudes necessárias para que estejamos aptos a sobreviver profissionalmente e atender às necessidades do mercado de trabalho global. Não significa, entretanto, que todas sejam de fundamental importância para que estejamos nelas engajados. Se a realidade pessoal, financeira ou estrutural não permitir que todas as atitudes sejam tomadas, isso não significa que estaremos alijados da sala de aula. Não podemos, contudo, permanecer inertes às mudanças e estagnados na nossa realidade.

É fundamental que algumas das providências a seguir sejam tomadas, sob pena de estarmos nos afastando de forma irreversível do processo do qual dependerá nosso futuro profissional.

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